O campo da Parentalidade no Brasil: mapeamento de práticas e a Cultura de Parentalidade

Apresentação do artigo

O artigo analisa a Parentalidade no Brasil e propõe a Cultura de Parentalidade como agenda coletiva. O estudo articula revisão teórica e dados empíricos provenientes de um mapeamento nacional de práticas, contribuindo para a compreensão de um campo ainda em construção no país.

Diferentes abordagens sobre a Parentalidade

A revisão teórica evidencia a coexistência de diferentes matrizes conceituais sobre a Parentalidade.

De um lado, autores franceses ressaltam suas dimensões sociais, culturais, jurídicas e subjetivas, compreendendo-a como um fenômeno que não pode ser separado de seu contexto sócio-histórico. De outro, modelos psicológicos norte-americanos, amplamente difundidos no Brasil, privilegiam estilos parentais, competências educativas e características psicológicas individuais dos cuidadores.

A incorporação simultânea dessas concepções no contexto brasileiro contribui para a multiplicidade de sentidos atribuídos ao termo e para a sobreposição entre Parentalidade, práticas parentais e educação parental.

Campo da Parentalidade no Brasil

Resultados do mapeamento de práticas no Brasil

Em diálogo com essa revisão, o mapeamento de práticas identificou um campo heterogêneo, composto por profissionais liberais, organizações da sociedade civil e instituições públicas, com forte concentração de ações voltadas à educação parental e baixa presença de políticas públicas formalizadas.

Os resultados também revelaram fragilidades importantes nos processos de monitoramento e avaliação, além de dificuldades dos próprios agentes em reconhecer e nomear suas ações como práticas para a Parentalidade.

Mapeamento de práticas

Definição de Parentalidade e Cultura de Parentalidade

Diante desse cenário, o Hubbee propõe uma definição de Parentalidade ancorada na relação de cuidado entre adultos de referência e crianças e adolescentes, situada em um dado momento histórico, cultural e a partir de um contexto social.

A partir dessa formulação, desenvolve-se o conceito de Cultura de Parentalidade, compreendido como um conjunto de valores, atitudes e comportamentos que expressa como uma sociedade sustenta o cuidado de suas crianças e jovens.

Mais do que uma responsabilidade restrita à esfera privada, a Parentalidade é aqui entendida como compromisso coletivo, que demanda corresponsabilização entre Estado, iniciativa privada, organizações da sociedade civil, academia e meios de comunicação.

Cultura de Parentalidade

Contribuições para o campo da Parentalidade no Brasil

Ao articular revisão teórica, análise conceitual e evidências empíricas, o artigo contribui para o fortalecimento teórico e político do campo da Parentalidade no Brasil.

O estudo reforça a importância de consolidar a Parentalidade como agenda pública, orientada à sustentação social do cuidado e à promoção de condições mais justas para o exercício das funções parentais.