
Como a Agenda Parentalidade BR foi construída
A Agenda Parentalidade BR é resultado de um processo de escuta, diálogo e construção coletiva realizado com organizações da sociedade civil, especialistas, pesquisadores e diferentes agentes de transformação que atuam, sob diferentes perspectivas, na criação de condições para que famílias possam exercer a Parentalidade no Brasil.
Esse processo partiu do reconhecimento de que o desenvolvimento de crianças e adolescentes depende das condições concretas em que o cuidado acontece e da corresponsabilidade entre famílias, Estado, empresas e sociedade.
Ao longo desse percurso, foram realizadas rodadas de diálogo que permitiram identificar desafios comuns, reconhecer iniciativas já existentes e construir uma visão compartilhada sobre os caminhos necessários para fortalecer as condições para a Parentalidade no país. Mais do que reunir diferentes contribuições, esse processo buscou conectar experiências, aproximar olhares e construir propostas capazes de dialogar com diferentes realidades e territórios.
Em sua elaboração, a Agenda Parentalidade BR inspirou-se com experiências de incidência já consolidadas, como a Agenda 227, e foi construída em consonância com os princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e com o artigo 227 da Constituição Federal, que estabelece a corresponsabilidade da família, da sociedade e do Estado na garantia dos direitos de crianças e adolescentes.
O resultado desse trabalho é a Agenda Parentalidade BR: uma carta-compromisso dirigida aos poderes Executivo e Legislativo que reúne propostas para fortalecer o reconhecimento da Parentalidade como uma prioridade estratégica para o desenvolvimento humano, social e econômico do Brasil.
A Agenda reúne propostas de diferentes áreas que influenciam diretamente as condições em que a Parentalidade é exercida, reconhecendo que o cuidado depende de múltiplos fatores e exige uma atuação articulada entre diferentes políticas públicas. Por isso, contempla temas como saúde mental, educação, assistência e proteção social, mobilidade, geração de renda e fortalecimento das redes de apoio. Embora esses temas já estejam presentes em políticas públicas e iniciativas de diferentes áreas, muitas vezes ainda aparecem de forma fragmentada no debate público, enquanto a Parentalidade permanece pouco reconhecida como uma prioridade estratégica para o desenvolvimento do país.
Por isso, a Agenda Parentalidade BR não busca ampliar a quantidade de políticas públicas nem criar respostas isoladas para cada desafio. Sua principal contribuição é fortalecer a articulação entre políticas e iniciativas que já existem, promovendo maior integração entre diferentes áreas e orientando políticas e decisões públicas a partir das condições necessárias para a Parentalidade. Assim, contribui para que a Parentalidade seja reconhecida como uma prioridade estratégica nos planos de governo, na atuação parlamentar e nas políticas públicas do país.
A Agenda parte do entendimento de que fortalecer a Parentalidade não significa apenas ensinar famílias a cuidar melhor. Significa reconhecer que o cuidado depende de condições concretas e de uma corresponsabilidade entre famílias, Estado, empresas e sociedade. Por isso, propõe reconhecer a Parentalidade como uma infraestrutura social estratégica, capaz de sustentar o desenvolvimento das crianças e adolescentes, fortalecer os territórios e impulsionar o desenvolvimento social e econômico do Brasil.
A construção da Agenda representa o início de uma nova etapa. A partir de agora, o desafio é ampliar sua base de apoiadores e fortalecer sua capacidade de influenciar a formulação de políticas públicas, os processos eleitorais e a atuação dos tomadores de decisão.
Convidamos organizações da sociedade civil, especialistas, lideranças, empresas e cidadãos a participarem deste movimento, apoiando a construção desta agenda e contribuindo para que seus princípios e propostas alcancem candidaturas e tomadores de decisão.
Também convidamos candidatas e candidatos a conhecerem a Agenda e assumirem publicamente o compromisso de considerar seus princípios e propostas em sua atuação, contribuindo para que a Parentalidade ocupe um lugar cada vez mais estratégico nas políticas públicas e nas prioridades do país.
